Taxa de inflação para as famílias cujo rendimento total, por mês, é menor que R$ 1.650,50 foi de 1,58% em dezembro
Pesquisa
realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelou
aumento da inflação para todos os brasileiros em 2020, com crescimento no final do ano em todas as faixas de renda pesquisadas.
A taxa de inflação para as famílias cujo rendimento total, por mês, é
menor que R$ 1.650,50 (o que no Brasil é considerada uma família com
baixa renda) foi de 1,58% em dezembro. Na faixa que representa as
famílias de renda mais alta, ou seja, com rendimento domiciliar superior
a R$ 16.509,66, a variação foi de 1,05%.
Essa diferença de 0,53 ponto percentual, entre os dois grupos, revela um
abismo muito maior entre a qualidade de vida dos mais ricos e dos mais
pobres do que esse pequeno número nos deixa transparecer. Isso porque a
inflação é o nome que se dá para o aumento de preços durante um
determinado período. Quando se tem uma alta de preços de bens e
serviços, seja de um mês para o outro ou de um ano para outro, esse
efeito é o que chamamos de inflação. Da mesma forma, quando temos a
queda nos preços de bens ou serviços, conhecemos esse fenômeno por
deflação.
Quando uma pesquisa é realizada para saber como está a inflação destes
serviços ou bens, é feita uma avaliação de acordo com o tipo de consumo
de determinada população. Desta forma, os produtos que as pessoas mais
ricas compram é diferente do que é consumido pelos brasileiros com menor
renda, logo, uma avaliação dos impactos da inflação deve levar em conta
o que cada uma dessas parcelas da sociedade está comprando.

É por isso que a análise de consumo é diferente entre ricos e pobres,
explica a pesquisadora do Ipea, Maria Andreia Lameiras. Segundo ela, uma
alta na inflação é mais prejudicial para as famílias mais pobres do
País.
“Proporcionalmente a perda do poder de compra e da qualidade de vida que
a inflação traz para as famílias mais pobres é muito maior. As mais
ricas têm uma reserva monetária que pode ajudar essa família em um
momento de alta generalizada dos preços. Já os mais pobres não. Quando
você tem uma alta muito grande da inflação para os mais pobres, eles
simplesmente deixam de consumir alguns serviços e itens de mercado”,
detalhou a pesquisadora.
De acordo com Maria Lameiras, enquanto as pessoas com menor poder
aquisitivo gastam recursos com alimentos, energia e transporte público,
as famílias com maior fonte de renda empregam seus recursos com serviços
como escolas particulares, plano de saúde e lazer.
Cuidados com a Covid-19 devem continuar após a vacinação
Esclarecimento:
Supremo Tribunal Federal afirma que não proibiu o governo federal de
agir no enfrentamento à pandemia da Covid-19
De acordo com o resultado do Ipea, ao longo do ano, a forte aceleração
de preços de alimentos e energia, além de uma alta menos intensa nos
preços dos serviços e dos combustíveis, geraram uma significativa
diferença de inflação entre as faixas de renda mais baixa e mais alta.
Mas esses são pontos que devem ter queda gradativa dentro de alguns
meses com a normalização da vida na pós-pandemia. É nisso o que acredita
o planejador financeiro e consultor de Finanças Pessoais, Afrânio
Alves.
“A partir do momento em que a atividade econômica começa a voltar à sua
normalidade após o período da pandemia, haverá a recolocação natural e a
recomposição da empregabilidade. Assim, aquelas pessoas que estão
procurando emprego, assumem posição e começam a ter renda e aumenta-se o
consumo”, afirmou o especialista.
Fonte: https://brasil61.com/noticias/familias-pobres-foram-as-mais-atingidas-pela-inflacao-em-2020-bras213465
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