Colegiado terá missão de unificar propostas do Senado e Câmara dos Deputados em apenas um texto
A
reforma tributária será uma das prioridades do Congresso Nacional no
primeiro semestre de 2020. Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre
(DEM-AP), e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), instalaram,
em dezembro, comissão mista especial que unificará as duas propostas
sobre o tema. A primeira reunião do grupo está prevista para a próxima
terça-feira (7).
Os senadores e os deputados federais
terão missão de propor medidas de modernização do sistema de
arrecadação. Para isso, vão aproveitar as sugestões apresentadas na PEC
110/2019, analisada pelo Senado, e da PEC 45/2019, discutida na Câmara
(veja box). A comissão terá 90 dias para consolidar um texto para
votação nos plenários das duas casas.

Segundo Maia, a nova comissão vai
sistematizar os trabalhos já produzidos. “É importante que a gente possa
ter ainda no primeiro semestre de 2020 um novo sistema tributário”,
afirmou Maia, pelo Twitter. O presidente da Câmara dos Deputados defende
a redução da tributação sobre o consumo e o aumento da tributação sobre
a renda.
Os dois textos pretendem simplificar o
modelo de arrecadação com a extinção de até 10 tributos, como IPI, IOF,
CSLL, PIS, Pasep, Cofins e Cide Combustíveis, de arrecadação federal; o
ICMS, de competência dos estados; e o ISS, de âmbito municipal, além do
Salário-Educação, repartido entre o Fundo Nacional de Desenvolvimento da
Educação (FNDE), estados e municípios. Em substituição é prevista a
criação de dois impostos: o Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS), e o
Imposto Seletivo (IS).
Para o deputado federal Dr. Frederico
(PATRIOTA-MG), as medidas são “urgentes”, pois simplificam e dão
transparência ao sistema tributário. “Lembrando que a arrecadação
tributária geral deve respeitar que não poderá ter aumento. Em nenhum
momento, falaremos de aumento da carga tributária”, completou.
O grupo parlamentar será presidido pelo
senador Roberto Rocha (PSDB-MA) e o relator do texto será o deputado
federal Agnaldo Ribeiro (PP-PB). Ao todo, 30 parlamentares, 15 deputados
e 15 senadores, participarão da comissão.
Os parlamentares devem analisar uma
terceira proposta, elaborada pelo ministério da Economia. O pacote de
mudanças do governo contempla apenas a esfera federal e será enviado ao
Congresso em três etapas.
A primeira delas tratará da tributação
sobre consumo. O governo proporá a criação da Contribuição sobre
Faturamento de Bens e Serviços (CBS), não cumulativo e cobrado no
destino. O CBS fundirá o Programa de Integração Social (PIS) e o
Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). As
outras duas etapas englobam alterações do Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI) e no Imposto de Renda de pessoas físicas e
jurídicas.
ICMS
Durante evento do jornal Correio
Braziliense, ocorrido em dezembro, Rodrigo Maia ressaltou a importância
de simplificar as cobranças do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e
Serviços (ICMS) – tributo cobrado pelos estados e pelo Distrito Federal
que incide sobre as operações de circulação de mercadoria e a compra e
venda dos produtos.
Atualmente, arrecadação do ICMS é
direcionada para o local de origem da operação e as alíquotas variam de
estado para estado. Isso abre uma guerra fiscal entre as Unidades da
Federação. As propostas em trâmite no Congresso Nacional preveem a
uniformização das regras do ICMS entre os estados.
“É um sistema complexo de normas que são
alteradas de uma forma bastante habitual, com normas conflituosas, que
geram uma complexidade impossível de ser observada por quem quer
empreender”, explica o especialista em Direito Tributário, Eduardo
Salusse.
Pesquisa da Confederação Nacional da
Indústria (CNI), feita com duas mil empresas, defende a necessidade da
reforma tributária, sobretudo do ICMS. Quarenta de dois por cento das
respostas apontaram o imposto como "prejudicial".
A pesquisa conclui que a dinâmica de
cobrança do ICMS encarece os insumos usados na indústria, prejudica os
investimentos, impacta negativamente a produção e trava a
competitividade. Os empresários ouvidos consideram como prioridade a
unificação de alíquotas entre os estados e o estabelecimento de
legislação nacional.

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