Segundo Ministério da Saúde, ele está em quarentena domiciliar, em São Paulo; mais de 30 pessoas da família estão em observação
O
Ministério da Saúde confirmou nesta quarta-feira (26) o primeiro caso
do novo coronavírus no Brasil. O paciente é um homem de 61 anos que
esteve no norte da Itália entre os dias nove e 21 de fevereiro. Ele está
em quarentena domiciliar, em São Paulo. Mais de 30 pessoas da família
estão sob observação.
Outros 16 passageiros que estiveram no mesmo voo do homem infectado
foram orientados a entrar em contato com a companhia aérea e passar
informações sobre o quadro respiratório e a poltrona em que viajaram.
Durante coletiva de imprensa nesta quarta-feira (26), em Brasília, o
ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que o governo
brasileiro já havia seguido as recomendações preventivas da Organização
Mundial da Saúde (OMS), já que foram registrados casos suspeitos desde o
início do ano.
“Nós adotamos a emergência em saúde de interesse nacional por conta
de todos os preparativos que foram feitos em função da quarentena das
pessoas que saíram de Wuhan. Então, do ponto de vista de status
sanitário, não muda nada, porque já tínhamos tomado essa medida dias
atrás”, lembrou.
Mandetta ressaltou ainda que, após a confirmação do primeiro caso, as
autoridades de saúde vão observar a manifestação do novo coronavírus em
um país de clima tropical como o Brasil.
“Essa doença é uma síndrome gripal, se comporta de maneira mais
agressiva nos pacientes com mais de 60 anos. O vírus pode manter o mesmo
padrão de transmissão que tem no hemisfério norte, onde há mais frio.
Agora é que vamos saber como ele (coronavírus) se corpora no hemisfério
sul”, completa o ministro.
Segundo o ministro da Saúde, os procedimentos nos aeroportos não
serão alterados, uma vez que há um grande número de conexões nos voos.
Ele descartou ainda qualquer possibilidade de bloqueios ou barreiras a
passageiros de países com casos suspeitos ou confirmados.
“Não existe tecnologia que possa nos dizer que quem está dentro de um
avião possa estar com o vírus ou não. Se tem sintomas, não viaje.
Viajou? Informe as autoridades quando chegar. Passou 14 dias da chegada,
se sentir sintomas, procure a rede de saúde da sua cidade”, recomendou
Mandetta.
O secretário executivo do Ministério da Saúde, João Gabbardo dos
Reis, tranquilizou a população e reforçou que não há motivo para pânico
ou alarde. Sobre o perigo de contaminação em massa no Brasil, ele
explica que um único infectado não é capaz de transmitir o vírus para um
grande número de pessoas.
“Todos os casos de pessoas que eram portadores do vírus contaminaram
de duas a três pessoas. Isso significa que esse contato precisa ser mais
íntimo para que a transmissão seja efetiva. Não vamos ficar imaginando
que uma pessoa infectada que tem contato com 60 ou 80 pessoas vai passar
o vírus para todas elas”, explica Gabbardo.
Até o momento, segundo o Ministério da Saúde, há outros 20 pacientes
em investigação no país. Outros 59 casos já foram descartados. No início
do mês, 30 brasileiros repatriados da cidade chinesa de Wuhan, onde
teve início o surto de coronavírus na China, estiveram em quarentena na
base aérea de Anápolis, cidade goiana a 150 quilômetros de Brasília.
Após 14 dias de observação e testes clínicos diários, o grupo foi
liberado com a comprovação de que ninguém foi contaminado.
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