Relator na Câmara, deputado Celso Maldaner reforça que as flexibilizações trabalhistas visam evitar demissões em massa; texto já recebeu mil emendas
Em
tramitação no Congresso Nacional, a medida provisória 927/2020, que
flexibiliza regras trabalhistas, pode evitar que as empresas promovam
demissões em massa durante a crise provocada pela pandemia do novo
coronavírus. Esta é a avaliação do deputado federal Marcelo Ramos
(PL-AM), que defende a aprovação do texto para socorrer o setor
produtivo.
“Essa é uma crise que jogou todo mundo no mesmo barco, que atingiu
empregado e empregadores, pequenas, médias e grandes empresas,
trabalhadores de salários baixos e de salários altos. Portanto, se não
tivermos capacidade de flexibilizar alguma coisa na legislação
trabalhista, a alternativa vai ser o desemprego”, aponta o parlamentar.
A MP 927/2020, em vigor desde o fim de março, prevê medidas como o
teletrabalho, uso de banco de horas e antecipação de feriados e férias
individuais ou coletivas, por exemplo, como alternativas para evitar
demissões em massa. Também dispensa os empregadores de recolher o Fundo
de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) com vencimento em abril, maio e
junho. O valor devido poderá ser pago, sem atualização, multas ou
encargos, em até seis parcelas mensais.
O artigo que permitia a suspensão do contrato de trabalho por até
quatro meses sem salário durante a vigência do estado de calamidade
pública foi revogado pelo presidente Jair Bolsonaro e, posteriormente,
remodelado na MP 936 – que instituiu o benefício emergencial pago pelo
governo aos funcionários que tiveram os contratos de trabalho suspensos
ou vencimentos reduzidos. Até 12 de maio, segundo o Ministério da
Economia, mais de 7,2 milhões de brasileiros deixaram de ser demitidos
com a adesão de empresas ao Programa Emergencial de Manutenção do
Emprego e da Renda.
Para Marcelo Ramos, as iniciativas previstas na MPs 927 e 936 se
complementam e são essenciais para que a economia brasileira não seja
“abatida” durante a crise.
“A possibilidade de antecipação de férias, de feriados e a compensação em banco de horas e o teletrabalho, que inclusive está sendo utilizado atualmente por todos nós, são mecanismos que apenas fazem uma adaptação da legislação a esse momento de crise e que não atingem princípios constitucionais de proteção ao trabalhador”, garante Ramos.
“A possibilidade de antecipação de férias, de feriados e a compensação em banco de horas e o teletrabalho, que inclusive está sendo utilizado atualmente por todos nós, são mecanismos que apenas fazem uma adaptação da legislação a esse momento de crise e que não atingem princípios constitucionais de proteção ao trabalhador”, garante Ramos.

O deputado federal Celso Maldaner (MDB-SC), relator da MP 927 na
Câmara, tem opinião semelhante. O parlamentar considera as mudanças nas
relações entre patrão e empregado “extremamente positivas” e deixa claro
que as flexibilizações trabalhistas “só vão vigorar durante a
pandemia”. Isso, segundo Maldaner, descontrói o argumento de quem é
contrário ao texto enviado pelo Executivo e afirma que as mudanças
seriam permanentes.
“Não mexe na Constituição Federal, até porque medida provisória não
pode mexer na Constituição. Então, a antecipação de férias durante a
pandemia, por exemplo, vem ajudar na manutenção do emprego. A MP 927/20
vem para evitar demissões e ajudar no sentido de que há uma compensação
das duas partes”, esclarece Maldaner.
No cenário atual de perdas econômicas, comércios fechados e empresas
em colapso financeiro, o advogado trabalhista Iure Oliveira avalia as
MPs como “maduras” e pondera não enxergar outra saída para estimular a
economia.
“Mais importante do que manter 100% da renda, é manter o emprego.
Retomando a economia e as atividades voltando ao normal, a pessoa já
está empregada. O governo federal entrou com essa parte da renda, que
para alguns, teve quase que a manutenção do valor mensalmente”,
acredita.
Segundo o relator, a MP já recebeu mais de mil emendas e há possibilidade de o texto ser votado no Plenário da Câmara nos próximos dias.
Segundo o relator, a MP já recebeu mais de mil emendas e há possibilidade de o texto ser votado no Plenário da Câmara nos próximos dias.

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