Segundo Fernando Figueiredo, legislação atual torna setor “ocioso”. Na Câmara, deputados discutem texto para abrir concorrência e baratear custo do gás natural no país
A Nova Lei do Gás (PL 6.407/13), projeto de lei em discussão na
Câmara dos Deputados, precisa ser aprovada com urgência para dar
continuidade à iniciativa do governo federal de resgatar o mercado de
gás no Brasil. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira da
Indústria Química (Abiquim), Fernando Figueiredo. O segmento é um dos
principais consumidores de gás natural do país e utiliza o combustível
para fornecimento de calor, geração de eletricidade e de força motriz e
como matéria-prima para a produção de fertilizantes, por exemplo.
“Nada aconteceu durante dez anos, desde que o Congresso Nacional
aprovou em 2009 a Lei do Gás (11.909/09). Somente agora, no novo
governo, a gente tem o novo mercado de gás. Em oito meses, conseguiu-se
realizar com o mesmo arcabouço legal o que não se realizou em dez anos. O
importante é haver vontade política para realmente destravar o mercado
de óleo e gás do Brasil”, cobrou Figueiredo, ao reforçar que o setor
está “ocioso” porque as “mudanças levam muito tempo para ocorrer” no
país.
Dados da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás
Canalizado (Abegás), divulgados na última segunda-feira (14), mostram
que o consumo total de gás natural cresceu 8,2% em agosto na comparação
com o mês anterior - foram consumidos 70,8 milhões de metros cúbicos/dia
ante 65,4 milhões em julho. Diante do aumento da demanda pelo produto, o
relator do PL 6.407/2013, deputado federal Silas Câmara
(REPUBLICANOS-AM), considera que a aprovação do texto deve baratear o
preço do gás natural. “A Nova Lei do Gás traz segurança jurídica,
desconcentra atividade de poucos e dá possibilidade de investimento a
muitas empresas. Tudo isso melhora também o acesso, o preço e a
infraestrutura desse mercado”, ressalta.

Entre outros pontos, o objetivo da proposta é diminuir a participação
da Petrobras no mercado – a estatal atualmente dispõe de 92% de toda
produção no país, além de administrar a maioria dos campos de gás,
gasodutos, termelétricas, transportadoras, distribuidoras e revendedoras
do gás natural. Isso, segundo Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural
e Biocombustíveis (ANP), impede a livre concorrência no mercado, já que
não há outras empresas para competir preços, prejudicando o consumidor.
O texto também propõe estimular a entrada de novos fornecedores de
gás natural no Brasil, tornar o setor de transporte mais transparente,
promover a competitividade, além de regulamentar, em nível federal, a
atividade de comercialização de gás.
Preço justo
A falta de competitividade no setor de gás natural é apontada por
especialistas como a principal barreira para o desenvolvimento do
mercado no Brasil. Para o coordenador do grupo de Economia de Energia da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Edmar de Almeida, as
mudanças propostas na Nova Lei do Gás são interessantes do ponto de
vista do consumidor, que saberá se o preço cobrado é o mais justo.
“Hoje nós não sabemos se é possível ou não vender gás mais barato.
Somente com a real competição é que a gente vai saber. Na medida em que
houver mais empresas oferecendo gás, as distribuidoras vão poder fazer
um leilão para comprar daquela empresa que esteja vendendo mais barato.
Dessa forma, a gente vai saber que o preço praticado no mercado é o
menor possível”, aponta Almeida.
Apoiador do projeto, o deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ) lembra
ainda da importância do gás natural sob o aspecto ecológico. O
combustível de queima total não deixa resíduos, nem cinzas, sendo menos
poluente que outros combustíveis fósseis, como o petróleo e o carvão
mineral.
“O Brasil é uma potência e essa legislação vai estabelecer condições,
sem prejudicar ninguém, mas defendendo os interesses da população
brasileira e, sobretudo, trazendo investidores e diminuição de custo”,
opinou o parlamentar.
O deputado federal Arnaldo Jardim (CIDADANIA-SP) entende que a nova
legislação é uma oportunidade de destravar projetos e recuperar
investimentos.
“A participação do gás deve ser crescente na nossa matriz energética.
Para que isso possa ser incorporado e utilizado, seja pelo consumidor
individual ou pela nossa estrutura industrial, precisamos flexibilizar
regras. É preciso descentralizar, criar competição, compartilhar dutos
para que o gás mais barato seja acessível a todos e impulsione o
crescimento do nosso país”, ponderou Jardim.
O PL 6.407/13 está em tramitação na Comissão de Minas e Energia
(CME). O parecer do relator, deputado Silas Câmara, foi pela aprovação
da proposta. O texto pode ser votado ser votado no colegiado ainda esta
semana.
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